O relatório que está no chão do curral
Antes de qualquer exame caro, a vaca te entrega um diagnóstico de graça todo dia: as fezes. Consistência, cor e o que tem dentro contam se a dieta está sendo bem digerida ou se está passando reto (dinheiro saindo pelo outro lado). Aprender a ler o cocô do curral é das habilidades mais baratas e úteis do leiteiro.
O escore de fezes (1 a 5)
- Escore 1 (muito mole/aguado): espirra no chão. Excesso de proteína, pasto novo, acidose ou problema sanitário.
- Escore 2 (mole): espalha, não empilha. Comum em vaca de alta produção a pasto — pode ser normal ou excesso de proteína.
- Escore 3 (ideal): empilha em 3-4 cm, formato de "panqueca" com cavidade no meto, bate no chão e respinga pouco. Dieta bem equilibrada.
- Escore 4 (firme): empilha alto e firme. Pode faltar proteína ou sobrar fibra.
- Escore 5 (muito firme/em bolas): fezes em bolinhas secas. Falta proteína/água, excesso de fibra, baixo consumo.
O ideal varia com a categoria — vaca de alta produção fica perto do 2,5-3; vaca seca, mais firme (3,5-4).
O que olhar dentro das fezes
- Grãos inteiros: milho passando sem digerir = grão mal processado ou trânsito rápido (acidose). Você está literalmente cagando dinheiro.
- Bolhas/espuma: sinal de fermentação no intestino grosso — acidose ruminal.
- Fibras longas não digeridas: volumoso passando reto — má fermentação.
- Muco ou sangue: alerta de problema intestinal — chame o veterinário.
A peneira de fezes (lavagem)
Lavar uma amostra de fezes numa peneira (ou na peneira de Penn State) mostra o que sobrou sem digerir. Muito grão e fibra na peneira = a vaca não está aproveitando a dieta — sinal de ajustar processamento do grão, fibra efetiva ou velocidade de passagem.
Fezes muito moles com grão inteiro e bolhas gritam "acidose" — antes de culpar a vaca, revise a dieta (fibra efetiva, excesso de grão, tampão). É o diagnóstico mais barato do curral: dois minutos olhando o chão podem explicar uma queda de gordura no leite ou de produção.