Aborto não é azar — é sinal
Um aborto isolado pode ser acaso. Mas vários abortos no rebanho são um alarme de que algo está errado — uma doença circulando, um erro de manejo ou nutrição. O erro caro é tratar cada perda como evento isolado e nunca investigar a causa. Cada aborto custa o bezerro, a lactação perdida e o tempo da vaca vazia.
As causas infecciosas (as mais comuns)
- Leptospirose: causa clássica de aborto no terço final. Controle por vacina.
- Brucelose: aborto no terço final, doença de notificação obrigatória e zoonose.
- Neosporose: protozoário transmitido pelo cão e pela própria vaca à cria — causa importante e subdiagnosticada.
- IBR e BVD: viroses que causam aborto, reabsorção e bezerro fraco.
- Tricomonose e campilobacteriose: ligadas à monta natural com touro contaminado.
As causas não infecciosas
- Nutricionais: deficiência de minerais (selênio, cobre, iodo), micotoxina na ração/silagem mofada.
- Estresse térmico severo.
- Manejo: brigas, transporte, manejo brusco de vaca prenhe, medicamento contraindicado na gestação.
- Genéticas e hormonais.
Como investigar — o passo a passo
- Não jogue fora o material: guarde o feto e a placenta refrigerados (não congele) — são a melhor amostra pro laboratório.
- Colha sangue da vaca que abortou (e do touro, se monta natural).
- Anote tudo: idade da gestação, há quanto tempo, quantas vacas, lote, dieta, vacinas em dia.
- Chame o veterinário e mande material ao laboratório — sorologia e exame do feto.
- Isole a vaca e o material até saber se é zoonose (brucelose/lepto).
Prevenção
- Calendário de vacinação reprodutiva (lepto + IBR/BVD) em dia.
- Brucelose: vacinação de bezerras na idade correta + exame do rebanho.
- Controle do cão na fazenda (neosporose) e da silagem mofada.
- Mineralização correta de vaca em reprodução.
- Quarentena e exame de animal novo.
Mais de 5% de abortos no rebanho em um ano é surto — investigue. Registrar cada perda com data e idade de gestação no app revela o padrão (sempre no terço final? sempre certo lote?) que aponta a causa.