A doença "moderna" da vaca leiteira
Acidose ruminal é o efeito de dieta com muito concentrado e pouca fibra efetiva. O pH do rúmen cai abaixo de 5,8, a microbiota se desequilibra, e a vaca sofre — sem necessariamente parecer doente.
Duas formas
- Aguda: ingestão de muito concentrado de uma vez. pH cai rápido (< 5). Vaca atordoada, diarreia ácida, desidratação, pode morrer. Raro em manejo normal, mais em acidentes.
- Subaguda (SARA): a comum. pH oscila por horas abaixo de 5,8 ao dia, recupera. Vaca não parece doente, mas: produção cai, mastite aumenta, laminite aparece, fertilidade despenca.
Sinais da SARA
- Variação no consumo de cocho (vaca come muito, depois para).
- Fezes inconsistentes, fragmentos de fibra longa não digerida.
- Ruminação reduzida (vaca rumina menos de 8 horas/dia).
- Queda de teor de gordura no leite (abaixo de 3,0% em Holandês).
- Casos de laminite aparecendo no rebanho.
- Vacas magras apesar de comerem bem.
Causas
- Concentrado > 50% da MS da dieta.
- Fibra efetiva baixa (silagem muito picada, sem feno).
- Mudança brusca de dieta (vaca recém-parida sem transição).
- Cocho oferecido em 1 só refeição grande.
- Grão moído muito fino.
Prevenção
- Fibra efetiva: partícula longa (> 4 cm) em pelo menos parte do volumoso. Caixa Penn State indica.
- Concentrado fracionado: 3-4 refeições ao dia, não tudo de uma vez.
- Transição gradual da vaca recém-parida.
- Bicarbonato de sódio tampão na dieta (1-2% da MS).
- Levedura viva no concentrado ajuda estabilidade.
- Não aumente concentrado mais que 0,5 kg por semana.
Como saber se está controlado
Tempo de ruminação no rebanho (média > 7-8h/dia/vaca), teor de gordura no leite (> 3,2%), incidência de claudicação (< 5% das vacas). Esses três indicadores juntos contam a história.