Os dois minerais que mais pesam
Entre todos os minerais, dois se destacam na vaca leiteira: cálcio (Ca) e fósforo (P). Eles formam o esqueleto, mas vão muito além — o cálcio é essencial pra contração muscular e pra produção de leite (o leite é rico em cálcio), e o fósforo participa da energia, da fertilidade e do aproveitamento do alimento. Faltar qualquer um, ou estar na proporção errada, custa caro em produção e saúde.
O que cada um faz
- Cálcio: ossos e dentes, contração muscular (inclusive do útero no parto), coagulação e muito leite (a vaca exporta cálcio no leite todo dia).
- Fósforo: ossos, metabolismo de energia, fertilidade (vaca com pouco P emprenha mal) e função do rúmen.
Os sinais de falta
- Falta de cálcio (hipocalcemia/febre do leite): vaca recém-parida que cai, fica fraca, deita e não levanta — emergência. (Veja nosso post sobre febre do leite.)
- Falta de fósforo: o clássico é o animal roendo osso, pau, terra (osteofagia) — comportamento que ainda abre porta pro botulismo. Também baixa fertilidade, fraqueza e queda de produção.
- Crônica: ossos fracos, fraturas, definhamento.
A relação Ca:P (a proporção importa)
- Não basta ter os dois — eles precisam estar equilibrados. A referência geral fica em torno de 1,5 a 2 partes de cálcio pra 1 de fósforo na dieta total.
- Excesso de um atrapalha a absorção do outro.
- A dieta já fornece parte (volumoso tem mais cálcio; grãos têm mais fósforo) — o sal mineral acerta o que falta.
- No pré-parto, manejar cálcio/fósforo (e a dieta aniônica) ajuda a prevenir a febre do leite.
Cálcio e fósforo são a base da mineralização da vaca de leite — e o segredo está tanto na quantidade quanto na proporção. Animal roendo osso é fósforo gritando que falta; vaca caída no parto é cálcio. Um bom sal mineral, formulado pra sua dieta, e atenção redobrada no periparto resolvem a maior parte. Na dúvida, chame o nutricionista.