O que é cetose
Quando a vaca recém-parida produz mais leite do que consegue comer (balanço energético negativo), ela queima gordura corporal. Se o fígado não dá conta de metabolizar essa gordura, surgem corpos cetônicos no sangue — é a cetose.
Duas formas
- Clínica: vaca recém-parida (geralmente entre 7-30 DEL) apática, sem apetite, queda brusca de produção, hálito com cheiro de "acetona" (parece esmalte). Pode evoluir pra nervosa (vaca com tremores, mugindo).
- Subclínica: sem sintomas óbvios. Detectada por fitas reativas em urina ou leite ou exame de sangue (BHB > 1,2 mmol/L). Atinge 30-60% das vacas adultas no pós-parto recente.
Por que acontece
- Vaca chegou ao parto gorda (escore 4+).
- Consumo baixo no pós-parto (vaca não come o suficiente).
- Transição mal feita (pré e pós-parto).
- Estresse, dor, doença associada (mastite, retenção de placenta).
- Falta de propilenoglicol ou precursores energéticos na dieta de transição.
Diagnóstico no campo
- Fitas reativas (Ketostix, KetoCheck): em urina ou leite, detectam cetose em minutos. Use semanalmente nas 4 primeiras semanas pós-parto.
- Vaca apática + recém-parida + hálito doce + queda de leite = suspeita forte.
Tratamento
- Propilenoglicol: 300-500 ml via oral, 1-2x/dia, por 3-5 dias. Fornece glicose precursor.
- Dextrose endovenosa: em casos graves (500 ml de glicose 50% IV lenta).
- Glicocorticoide: caso refratário (mobiliza glicogênio hepático). Usar com critério veterinário.
- Estimular consumo: oferecer comida palatável, água fresca, cama confortável.
Prevenção
- Escore corporal correto ao parto (3,25-3,5; nunca 4+).
- Dieta de transição com adequada relação energia/fibra.
- Cocho disponível 24h pós-parto, com volumoso de qualidade.
- Propilenoglicol oral profilático em vacas de risco (idosas, alto escore, multíparas).
- Monitorar consumo nas primeiras semanas.
Cuidado
Cetose subclínica não tratada é a porta de entrada pra dezenas de outras doenças (mastite, metrite, deslocamento de abomaso). É a doença mais cara da pecuária leiteira mundial.