Quando se fala em El Niño, quase todo produtor pensa em seca. No Sul do Brasil o efeito é o oposto, e o excesso de água causa um estrago tão caro quanto a falta dela.
O que se espera para a região
As projeções apontam volumes de chuva acima da média para o Sul do Brasil e para os países vizinhos do Mercosul. Para a pecuária leiteira, isso significa um conjunto específico de problemas.
Onde a chuva demais cobra
- Pisoteio e compactação: pasto molhado com gado em cima vira lama. A planta não rebrota e o solo compacta, com efeito que dura além da estação.
- Casco: barro constante amolece o casco e dispara dermatite digital e claudicação. Vaca mancando come menos e produz menos.
- Mastite ambiental: cama úmida e teto sujo são a combinação clássica para elevar a CCS.
- Janela de plantio e de colheita: chuva contínua atrasa o plantio e impede colher a silagem no ponto certo.
- Logística: estrada ruim atrapalha a coleta do leite e a entrega de insumo.
- Qualidade do pasto: capim cresce rápido, mas com muita água e pouca fibra efetiva, o que solta as fezes e derruba a gordura do leite.
O que fazer antes
- Resolver a drenagem agoraCorredores, entrada de bebedouro e porteira são os pontos que viram atoleiro primeiro. Melhorar piso e escoamento fora do período chuvoso custa uma fração.
- Planejar o sacrifício de áreaDefinir de antemão um piquete ou área de sacrifício para os dias mais chuvosos evita destruir o pasto inteiro.
- Reforçar a rotina de cascoCasqueamento preventivo e pedilúvio bem mantido antes do pico de chuva.
- Ter volumoso conservado guardadoEm dia de chuva pesada, tirar o gado do pasto e fornecer no cocho é o que salva a pastagem.
- Antecipar a janela de plantioCombinar com quem faz o serviço um intervalo, e não uma data única, porque a chuva vai mandar no calendário.
Projeções climáticas para o El Niño 2026/2027 e efeitos por região, conforme Canal Rural e painel do INMET.