Poucas coisas irritam mais o produtor do que confirmar uma prenhez e, um mês depois, encontrar a vaca em cio. A conclusão mais comum é que o exame errou. Na maioria das vezes não errou: a vaca estava prenhe e deixou de estar.
Quando a perda acontece
O embrião passa por momentos críticos. O primeiro é a fecundação e os primeiros dias, antes de qualquer diagnóstico. O segundo é o período em que o embrião precisa sinalizar sua presença para o corpo da vaca, impedindo que ela volte a ciclar. O terceiro é a implantação e a formação da placenta.
Perdas nos primeiros dias aparecem como vaca que simplesmente não emprenhou. Perdas depois do diagnóstico é que geram a sensação de erro de exame, e são as que mais chamam atenção.
| Causa | Como age | Dá para reduzir? |
|---|---|---|
| Estresse por calor | Compromete embrião e ambiente uterino | Sombra, ventilação, aspersão |
| Balanço energético negativo | Vaca mobilizando reserva demais | Nutrição da transição |
| Infecção uterina prévia | Útero inflamado não sustenta | Manejo de parto e puerpério |
| Doenças reprodutivas | Perda em qualquer fase | Sanidade e quarentena |
| Estresse de manejo | Transporte, brigas, mudança de lote | Evitar nos dias críticos |
| Micotoxina no volumoso | Afeta o ambiente uterino | Silagem bem feita |
| Gestação gemelar | Mais risco de perda | Pouco controlável |
O que fazer na prática
A intervenção com melhor retorno é reduzir estresse térmico no período de inseminação e nas semanas seguintes. Sombra e ventilação no lote de vacas recém-inseminadas rendem prenhez de forma direta no verão.
A segunda é a nutrição de transição: vaca que perde muito escore depois do parto chega à inseminação em condição ruim e sustenta menos gestações.
A terceira é o reexame. Confirmar a prenhez uma segunda vez, algumas semanas depois da primeira, não evita a perda, mas descobre a vaca vazia cedo, em vez de ao fim de uma gestação que nunca existiu.