A lactação seguinte começa na secagem
A secagem parece um evento simples, apenas parar de ordenhar. Na prática, é um dos momentos de maior risco do ciclo: o úbere passa por uma transformação intensa e fica vulnerável à entrada de bactéria justamente nas primeiras semanas. Errar aqui custa mastite no parto e produção perdida na lactação inteira.
Quando secar
A referência clássica é um período seco de aproximadamente 60 dias, tempo necessário para o tecido do úbere se renovar. Períodos muito curtos comprometem a produção seguinte; períodos muito longos aumentam o risco de a vaca engordar e ter parto complicado.
O cálculo parte da data prevista de parto, que só existe se a data de cobertura e o diagnóstico de gestação estiverem registrados.
Corte abrupto ou redução gradual
- Corte abrupto: parar de ordenhar de uma vez. É a prática mais recomendada hoje para a maioria das situações, porque a pressão interna faz o úbere reduzir a produção mais rápido e o canal do teto fechar antes.
- Redução gradual: passar para uma ordenha por dia por alguns dias antes de parar. Costuma ser considerada em vacas de produção ainda muito alta, sempre com orientação técnica.
O que não se deve fazer é ficar ordenhando de vez em quando depois de secar. Isso mantém o canal do teto aberto e é o pior dos mundos.
A dieta muda antes do corte
Reduzir a produção antes de secar facilita muito o processo:
- Retirar o concentrado alguns dias antes.
- Passar para volumoso de menor qualidade energética.
- Nunca restringir água, que é prática antiga, ineficaz e prejudicial ao animal.
Os dias seguintes ao corte
- Manter a vaca em ambiente limpo e seco, longe de lama e esterco acumulado.
- Observar o úbere diariamente na primeira semana, procurando inchaço, calor e dor.
- Não ordenhar para "aliviar", a não ser em caso clínico identificado, e aí com orientação do veterinário.
- Separar do lote de lactação, evitando que ela vá pra sala de ordenha.
Aproveite a janela
A secagem é a hora certa de resolver pendências que atrapalham na lactação: casqueamento, tratamento de mastite crônica com terapia de vaca seca, vacinação e ajuste de escore corporal. Vaca que chega ao parto com casco bom e escore adequado tem pico maior e menos problema no pós-parto.