O antiácido do rúmen
Vaca de alta produção come muito concentrado, e concentrado acidifica o rúmen. Quando o pH cai demais, vem a acidose subclínica — aquela que não derruba a vaca, mas come a produção, o teor de gordura e o casco aos poucos. O tamponante (bicarbonato de sódio e similares) é o "antiácido" que mantém o rúmen no pH certo pra fermentar bem.
Quando vale a pena usar
Tampão não é pra todo rebanho — é pra situações de risco de acidose:
- Vacas de alto consumo de concentrado (acima de 50-60% da dieta).
- Dietas com pouca fibra efetiva (volumoso muito picado, baixa fibra fisicamente efetiva).
- Silagem muito ácida ou troca brusca de dieta.
- Queda do teor de gordura do leite sem outra explicação — sinal clássico de acidose subclínica.
- Vacas frescas em rampa de aumento de concentrado no pós-parto.
Sinais de que falta tampão (acidose subclínica)
- Gordura do leite caindo (abaixo de 3,2-3,4% em rebanho que deveria ser maior).
- Fezes mais soltas, com grãos inteiros e bolhas.
- Vacas selecionando o cocho (comem o grão, deixam a fibra).
- Consumo irregular, "liga-desliga".
- Laminite e problemas de casco no rebanho.
Quais e quanto
- Bicarbonato de sódio: o mais usado. Referência de ~150-250 g/vaca/dia (cerca de 0,75-1% da matéria seca), na dieta. Ajuste com o nutricionista.
- Óxido de magnésio: usado junto com o bicarbonato, potencializa o efeito; também fornece magnésio.
- Bentonita e outros em situações específicas.
Misture bem no trato (na ração total/TMR é o ideal). Em cocho separado a vaca pode rejeitar pelo sabor.
Atenção
Tampão corrige sintoma, mas a causa costuma ser a dieta. Se a fibra efetiva está baixa ou o concentrado alto demais, o ideal é corrigir a formulação — o tampão é apoio, não muleta permanente. Procure o nutricionista.
O teor de gordura no resultado do laticínio é o termômetro mais barato da saúde ruminal. Acompanhar esse número mês a mês no app mostra a acidose subclínica antes que ela vire laminite e queda de produção — e indica quando o tampão está valendo a pena.