Ficha demais também atrapalha
Existe um erro comum quando o produtor decide organizar o rebanho: montar uma ficha gigante, com dezenas de campos, que ninguém preenche até o fim. Depois de um mês, metade dos campos está vazia e a ficha inteira perde a confiança. Ficha boa é a que tem só o que muda decisão.
Identificação: a base de tudo
- Número ou brinco, legível de longe e que não se repita no rebanho.
- Nome, se a fazenda usa. Ajuda a equipe, mas não substitui o número.
- Data de nascimento, que permite calcular idade ao primeiro parto e acompanhar a recria.
- Pai e mãe, mesmo que só a mãe seja conhecida. É o que permite avaliar genética depois.
- Foto, que resolve dúvida de identificação e ajuda quem é novo na equipe.
Reprodução: o histórico que mais rende
- Datas de cio, cobertura ou inseminação, com o touro usado.
- Resultado do diagnóstico de gestação.
- Data de secagem e data do parto.
- Como foi o parto e se houve retenção de placenta.
Com essas datas você calcula intervalo entre partos, dias em aberto e número de doses por prenhez, que estão entre os indicadores que mais afetam o resultado.
Produção
- Produção nos dias de controle leiteiro, individual.
- Total da lactação, quando ela fecha.
- Resultado de CCS individual, quando disponível.
Sanidade
- Doença, data e tratamento aplicado, com dose e via.
- Carência do medicamento, que é o campo que evita mandar leite contaminado pro tanque.
- Casos de mastite, com o quarto afetado.
- Vacinas e vermifugações, com data.
- Problemas de casco e data do casqueamento.
O que a ficha permite decidir
Uma ficha bem alimentada responde perguntas que, no olho, ninguém responde direito: essa vaca já teve mastite quantas vezes? Quantas doses de sêmen ela já consumiu? Faz quanto tempo que ela pariu? A soma dessas respostas é o que sustenta descarte, retenção de bezerra e escolha de touro.