💉 Sanidade

Brasil livre de aftosa sem vacinação: o que mudou na rotina da fazenda

Com o reconhecimento internacional do status, mais de 244 milhões de bovinos e búfalos deixaram de ser vacinados. O que isso significa para a fazenda de leite e o que passou a exigir mais atenção.

Foi uma das maiores mudanças sanitárias da pecuária brasileira em décadas: o país obteve o reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação, encerrando um processo de mais de 50 anos. Mais de 244 milhões de bovinos e búfalos deixaram de ser vacinados.

O que se ganha

O ganho mais citado é comercial: mercados internacionais mais exigentes só compram de regiões com esse nível de controle sanitário. Isso vale principalmente para a carne, mas o efeito reputacional alcança a cadeia inteira.

Há também o ganho direto de custo. A vacinação do rebanho brasileiro envolvia vacina, mão de obra e manejo, com estimativa oficial na casa de R$ 500 milhões por ano, além do estresse de manejo repetido nos animais.

O que mudouEfeito
Fim da vacinação obrigatóriaMenos custo e menos manejo
Status internacionalAcesso a mercados exigentes
VigilânciaPrecisa ser mais rigorosa, não menos
Notificação de suspeitaAinda mais crítica
Trânsito de animaisControle documental segue valendo
A proteção mudou de natureza antes vacina protegia o rebanho mesmo com falha de vigilância agora a vigilância é a proteção e ela depende de cada produtor Sem vacina, o rebanho é suscetível. É por isso que notificar suspeita virou ainda mais importante.
Sem vacinação, a barreira deixa de ser biológica e passa a ser de vigilância e de trânsito, o que depende de todo mundo.

O que exige mais atenção agora

Um rebanho não vacinado é um rebanho suscetível. Isso significa que qualquer entrada de animal sem controle, qualquer trânsito irregular e qualquer suspeita não notificada passam a ter peso maior do que tinham antes.

Na prática da fazenda de leite: manter documentação de trânsito em ordem, não receber animal sem procedência conhecida, respeitar quarentena e, acima de tudo, notificar imediatamente à defesa agropecuária qualquer animal com salivação excessiva, lesões na boca ou nos cascos e claudicação súbita em vários animais ao mesmo tempo.

Não hesite em notificar. Suspeita comunicada e depois descartada não gera problema para o produtor. Suspeita silenciada, sim, e coloca em risco um status que levou décadas para ser conquistado. Ver quarentena.
Fonte

Reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e comunicados do Ministério da Agricultura e Pecuária.

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