Foi uma das maiores mudanças sanitárias da pecuária brasileira em décadas: o país obteve o reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação, encerrando um processo de mais de 50 anos. Mais de 244 milhões de bovinos e búfalos deixaram de ser vacinados.
O que se ganha
O ganho mais citado é comercial: mercados internacionais mais exigentes só compram de regiões com esse nível de controle sanitário. Isso vale principalmente para a carne, mas o efeito reputacional alcança a cadeia inteira.
Há também o ganho direto de custo. A vacinação do rebanho brasileiro envolvia vacina, mão de obra e manejo, com estimativa oficial na casa de R$ 500 milhões por ano, além do estresse de manejo repetido nos animais.
| O que mudou | Efeito |
|---|---|
| Fim da vacinação obrigatória | Menos custo e menos manejo |
| Status internacional | Acesso a mercados exigentes |
| Vigilância | Precisa ser mais rigorosa, não menos |
| Notificação de suspeita | Ainda mais crítica |
| Trânsito de animais | Controle documental segue valendo |
O que exige mais atenção agora
Um rebanho não vacinado é um rebanho suscetível. Isso significa que qualquer entrada de animal sem controle, qualquer trânsito irregular e qualquer suspeita não notificada passam a ter peso maior do que tinham antes.
Na prática da fazenda de leite: manter documentação de trânsito em ordem, não receber animal sem procedência conhecida, respeitar quarentena e, acima de tudo, notificar imediatamente à defesa agropecuária qualquer animal com salivação excessiva, lesões na boca ou nos cascos e claudicação súbita em vários animais ao mesmo tempo.
Reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e comunicados do Ministério da Agricultura e Pecuária.