Decidir trocar de raça é fácil. Atravessar a transição é que separa quem planejou de quem se arrependeu, porque o rebanho passa vários anos sendo uma mistura das duas coisas.
Os dois caminhos
Conversão por cruzamento absorvente. Você usa sempre sêmen da raça desejada e, geração após geração, o grau de sangue vai subindo. É barato em dinheiro e caro em tempo: cada geração leva anos, contando o intervalo até a filha entrar em produção.
Compra de animais. Rápido, mas exige capital e traz risco sanitário e de adaptação. Muitas trocas de raça fracassam não pela genética, e sim por comprar animais que não se adaptaram ao manejo e ao ambiente da fazenda.
| Conversão por cruzamento | Compra de animais | |
|---|---|---|
| Velocidade | Lenta, várias gerações | Rápida |
| Capital | Baixo e diluído | Alto e concentrado |
| Risco sanitário | Baixo | Alto |
| Adaptação | Gradual | Choque |
| Uniformidade no caminho | Baixa por anos | Média |
| Reversibilidade | Dá para mudar de ideia | Difícil |
O que costuma dar errado
Mudar de ideia no meio. Duas trocas de rumo em cinco anos produzem um rebanho sem identidade e sem as vantagens de nenhuma das raças.
Esquecer o ambiente. Se a fazenda não muda o manejo, a nutrição e a sombra junto com a genética, a raça nova entrega menos do que prometia e leva a culpa.
Perder a uniformidade sem se preparar para isso: dieta, cocho e ordenha precisam servir a animais de porte diferente durante a transição.