Uma sequência de nove meses de queda no preço pago ao produtor foi interrompida no início de 2026, segundo levantamento do Cepea. A reação trouxe alívio, mas não resolveu o aperto de margem que o setor vinha acumulando.
O que estava por trás da queda
A sequência negativa foi resultado da combinação já conhecida: produção interna elevada, importação em volume alto e preço internacional baixo. Com sobreoferta, a indústria não precisava disputar matéria-prima, e o preço cedia mês após mês.
O que sustentou a reação
- Redução da oferta. O avanço da entressafra restringe a disponibilidade de leite e costuma inverter a direção do preço.
- Recuperação do mercado spot. Quando a indústria volta a buscar leite avulso, o movimento se transmite ao preço ao produtor.
- Menor pressão externa em alguns momentos. Oscilações no volume importado abrem espaço para o produto nacional.
Por que a margem continuou apertada
Preço subindo não significa lucro voltando. O custo de produção seguiu pressionado, com destaque para a valorização do milho, o que manteve a margem estreita mesmo com a receita melhor.
É a diferença entre preço e resultado que muita fazenda só percebe no fechamento: o que importa não é quanto subiu o litro, é quanto sobrou dele depois de pagar o cocho.
Cepea-Esalq/USP, levantamento sobre a reação do preço do leite ao produtor no início de 2026, e análises de custo de produção do período.