O vácuo é o coração da ordenha. Alto demais machuca o teto, baixo demais deixa leite no úbere. E ele muda com o tempo sem ninguém perceber.
Antes de mexer, uma advertência
Cada equipamento tem uma faixa de trabalho definida pelo fabricante, que varia conforme o tipo de sistema, a posição da linha de leite e o modelo do conjunto. Regular pelo palpite ou copiar o número do vizinho é erro. O manual do seu equipamento é a referência, e o ajuste ideal é acompanhado por técnico.
Como medir corretamente
- Use um vacuômetro aferidoO mostrador fixo da parede pode estar descalibrado há anos. Ele serve para acompanhar variação, não para definir o ajuste.
- Meça com o sistema em operação realCom a bomba estabilizada e o mesmo número de conjuntos que você usa na ordenha.
- Meça no ponto certoPróximo ao conjunto, e não apenas na linha principal, porque existe queda ao longo do sistema.
- Registre o valorCom data. É a comparação ao longo dos meses que revela o desgaste.
Onde se ajusta
O ajuste é feito no regulador de vácuo, que controla a entrada de ar no sistema e mantém o nível estável. Regulador sujo, com mola cansada ou com sede desgastada, não segura o vácuo e faz a leitura oscilar durante a ordenha. Limpeza periódica dele faz parte da manutenção.
O que provoca desvio
- Vazamentos em mangueira, borracha e conexões, que derrubam o vácuo.
- Regulador sujo ou travado.
- Bomba desgastada, com correia frouxa ou capacidade reduzida.
- Entrada de ar pelo conjunto, quando o acoplamento é malfeito ou a teteira está gasta.
- Aumento no número de conjuntos sem redimensionar a bomba.
Sinais de que está errado
Vácuo alto demais
- Ponta do teto endurecida, com anel
- Teto azulado após a ordenha
- Vaca inquieta, chutando
- Mais casos de mastite
Vácuo baixo demais
- Conjunto escorrega ou cai
- Ordenha demorada
- Leite residual no úbere
- Queda de produção sem causa aparente