📊 Gestão

Quanto custa uma mastite: a conta do prejuízo por caso

O antibiótico é a menor parte da conta. Leite descartado, produção perdida, carência, mão de obra e bonificação somam um valor que surpreende quem nunca calculou.

O gasto visível é a ponta do iceberg

Perguntado quanto custa uma mastite, quase todo produtor responde com o preço do antibiótico. Esse é o item mais barato da lista. O prejuízo de verdade está no que não aparece na nota fiscal.

Os itens que compõem o custo

  • Leite descartado durante o tratamento e a carência: normalmente vários dias, multiplicados pela produção diária daquela vaca. Costuma ser o maior item isolado.
  • Queda de produção: a inflamação danifica tecido, e a vaca frequentemente não volta ao patamar anterior naquela lactação.
  • Medicamento, incluindo o tratamento intramamário e, quando indicado, o sistêmico e o anti-inflamatório.
  • Mão de obra: tempo extra de manejo, aplicação e ordenha separada.
  • Perda de bonificação: um caso eleva a CCS do tanque e pode derrubar a faixa de pagamento do mês inteiro.
  • Risco de descarte precoce, que antecipa a reposição e traz o custo de criar ou comprar outro animal.
  • Risco de contaminar outras vacas, quando o agente é contagioso.

Como fazer a sua conta

A estimativa fica boa com poucos números:

  1. Produção diária média da vaca acometida.
  2. Dias de leite descartado (tratamento mais carência).
  3. Preço do litro que você recebe.
  4. Custo dos medicamentos usados.
  5. Uma estimativa de queda de produção no restante da lactação.

Só o item 1 vezes o item 2 vezes o item 3 já costuma superar bastante o valor do remédio.

E a subclínica, que não dá sinal?

A mastite subclínica não gera descarte de leite nem tratamento imediato, então parece de graça. Só que ela reduz a produção continuamente e mantém a CCS do rebanho alta, comendo bonificação todo mês. Por afetar muito mais vacas que a clínica, é comum que o prejuízo total dela seja maior.

Por que vale calcular

Quando o prejuízo por caso ganha um número, decisões que pareciam caras passam a ser óbvias: revisar a ordenhadeira, comprar papel toalha individual, melhorar a cama, contratar o teste de cultura, descartar uma crônica. Tudo isso custa menos que a doença, mas só fica evidente quando a conta é feita.

Na prática: registre cada caso com data, vaca, dias de descarte e produção do período. Em poucos meses você terá o custo real da mastite na sua fazenda, e não uma estimativa de tabela.

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