O gasto visível é a ponta do iceberg
Perguntado quanto custa uma mastite, quase todo produtor responde com o preço do antibiótico. Esse é o item mais barato da lista. O prejuízo de verdade está no que não aparece na nota fiscal.
Os itens que compõem o custo
- Leite descartado durante o tratamento e a carência: normalmente vários dias, multiplicados pela produção diária daquela vaca. Costuma ser o maior item isolado.
- Queda de produção: a inflamação danifica tecido, e a vaca frequentemente não volta ao patamar anterior naquela lactação.
- Medicamento, incluindo o tratamento intramamário e, quando indicado, o sistêmico e o anti-inflamatório.
- Mão de obra: tempo extra de manejo, aplicação e ordenha separada.
- Perda de bonificação: um caso eleva a CCS do tanque e pode derrubar a faixa de pagamento do mês inteiro.
- Risco de descarte precoce, que antecipa a reposição e traz o custo de criar ou comprar outro animal.
- Risco de contaminar outras vacas, quando o agente é contagioso.
Como fazer a sua conta
A estimativa fica boa com poucos números:
- Produção diária média da vaca acometida.
- Dias de leite descartado (tratamento mais carência).
- Preço do litro que você recebe.
- Custo dos medicamentos usados.
- Uma estimativa de queda de produção no restante da lactação.
Só o item 1 vezes o item 2 vezes o item 3 já costuma superar bastante o valor do remédio.
E a subclínica, que não dá sinal?
A mastite subclínica não gera descarte de leite nem tratamento imediato, então parece de graça. Só que ela reduz a produção continuamente e mantém a CCS do rebanho alta, comendo bonificação todo mês. Por afetar muito mais vacas que a clínica, é comum que o prejuízo total dela seja maior.
Por que vale calcular
Quando o prejuízo por caso ganha um número, decisões que pareciam caras passam a ser óbvias: revisar a ordenhadeira, comprar papel toalha individual, melhorar a cama, contratar o teste de cultura, descartar uma crônica. Tudo isso custa menos que a doença, mas só fica evidente quando a conta é feita.