Quando se fala em clima e leite, quase todo mundo pensa em seca. Mas no Sul, no cenário de El Niño previsto para 2026/27, o risco maior é o oposto: chuva demais, no momento errado, com produtores do Rio Grande do Sul mais expostos ao encharcamento entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027.
Por que chuva demais é problema
Silagem tem uma janela de colheita relativamente estreita, definida pelo ponto da planta. Se chove sem parar quando a lavoura atinge esse ponto, a máquina não entra. Se você espera a chuva passar, a planta passa do ponto e a silagem perde qualidade.
Colher fora do ponto, no barro, também piora tudo o mais: transporte difícil, contaminação por terra, compactação ruim e silagem que aquece.
| Consequência do excesso de chuva | Efeito na silagem |
|---|---|
| Máquina não entra | Planta passa do ponto |
| Colheita no barro | Terra na massa, fermentação ruim |
| Massa muito úmida | Efluente e perda de nutriente |
| Compactação difícil | Ar no silo, aquecimento |
| Pasto encharcado | Pisoteio e dermatite de casco |
| Lavoura com granizo | Perda direta de área |
Como reduzir o risco
Escalonar o plantio. Plantar tudo no mesmo dia significa colher tudo na mesma semana. Escalonando, você cria mais de uma oportunidade de colheita.
Ter uma segunda fonte. Pré-secado, capim picado, cana ou uma área de sorgo dão alternativa se o milho perder a janela.
Drenagem. Vale para a lavoura e principalmente para o entorno do curral, do corredor e do bebedouro, onde o encharcamento vira lama permanente e problema de casco.
Máquina e equipe combinadas com antecedência. Em ano chuvoso, todo mundo quer colher na mesma janela curta, e quem não combinou antes fica na fila.
Projeções climáticas para a safra 2026/27 na América do Sul, com destaque para o período de outubro de 2026 a fevereiro de 2027.