Ninguém sai da pecuária leiteira só por preço. Muita gente sai porque o corpo não aguenta mais duas ordenhas por dia. E boa parte desse desgaste é evitável.
Onde o corpo sofre
- Ombro e pescoço: braços erguidos acima da linha do ombro, repetidamente, para acoplar o conjunto.
- Coluna: agachar e curvar centenas de vezes por dia em fosso raso ou sala sem fosso.
- Punho e mão: movimento repetido no preparo e no manuseio do conjunto.
- Joelho: piso duro, muitas horas em pé, sem apoio.
- Audição: bomba de vácuo e compressor perto do operador o tempo todo.
Os ajustes de maior efeito
- Altura do fossoÉ o item que mais muda a vida. O úbere deve ficar aproximadamente na altura entre o peito e o ombro do operador, evitando braço erguido.
- Piso com apoioEstrado ou piso emborrachado no fosso reduz muito o impacto em joelho e coluna.
- Ferramenta ao alcancePapel, caneca e solução ao lado, sem obrigar torção de tronco a cada vaca.
- Conjunto mais leve e bem reguladoPeso e engate ruim aumentam esforço em cada acoplamento.
- Protetor auricularBarato e evita perda auditiva, que é cumulativa e irreversível.
- Revezar funçãoAlternar quem prepara e quem acopla distribui o esforço entre grupos musculares.
Pausa e alongamento não é frescura
Alongamento curto antes de começar e pausas curtas durante reduzem lesão por esforço repetitivo. Quem trabalha em ordenha faz, na prática, atividade física de repetição por horas.
Vale pensar assim: reforma de fosso e piso costuma custar menos que um ano de afastamento por problema de coluna. E o corpo do produtor é o ativo que mantém a fazenda de pé.