Quando se cruzam duas raças, as filhas costumam superar a média dos pais em características ligadas a robustez: fertilidade, sobrevivência, longevidade. Esse ganho é a heterose, e ele tem uma característica incômoda: não se mantém sozinho nas gerações seguintes.
Por que ela diminui
A heterose é máxima na primeira geração, quando o animal tem metade de cada raça. Ao acasalar mestiços entre si, as combinações se repetem e parte do vigor se perde. Por isso o cruzamento precisa de sistema definido: rotação entre raças, cruzamento terminal, ou estabilização em grau de sangue fixo, como faz o Girolando. O que não funciona é cruzar sem plano.
| Situação | Heterose esperada |
|---|---|
| F1 (primeira geração do cruzamento) | Máxima |
| Mestiço x mestiço sem plano | Cai para cerca de metade do ganho da primeira cruza, e a variação entre animais do mesmo lote aumenta muito |
| Rotação planejada de raças | Mantém parte do ganho de forma estável |
| Absorção de volta para uma raça pura | A heterose cai a cada geração, até zerar no animal puro |
O erro comum
Comprar touro de outra raça "para dar uma sangue novo", usar por um tempo e depois mudar de ideia. O resultado é um rebanho de composição desconhecida, difícil de selecionar e de prever. Cruzamento é estratégia de anos, definida com o técnico e registrada animal a animal.