O primeiro semestre de 2026 entrou para a história do setor lácteo brasileiro pelo lado que ninguém queria: foi o de maior volume de importações já registrado na série histórica.
O tamanho do desequilíbrio
Enquanto a entrada de produto importado batia recorde, as exportações permaneceram entre as menores desde 2013. A combinação das duas pontas amplia um desequilíbrio que vinha se formando e que hoje pressiona o preço pago ao produtor brasileiro.
Só em junho, as importações somaram 211 milhões de litros em equivalente-leite, contra 4,4 milhões de litros exportados. O déficit do mês ficou em 206,6 milhões de litros.
O que isso faz com o preço
Produto importado concorre com o leite nacional na mesma prateleira e na mesma indústria. Quando entra em volume alto e com preço competitivo, ele reduz a necessidade da indústria de buscar matéria-prima no mercado interno, e isso se traduz em menos disputa pelo seu leite.
O efeito não aparece de uma vez, mas se acumula ao longo dos meses, e é uma das razões estruturais por trás do aperto de margem que o setor vem sentindo.
Dados de balança comercial de lácteos divulgados e analisados pelo MilkPoint, referentes ao primeiro semestre de 2026.