💉 Sanidade

Vaca crônica de mastite: tratar de novo ou descartar

Tem vaca que cura, volta a infectar e contamina as outras na ordenha. Como identificar a crônica, quando ainda vale tratar e quando ela custa mais do que rende.

O animal que sustenta o problema do rebanho

Em quase todo rebanho com CCS alta existe um pequeno grupo de vacas que responde por boa parte do problema. São as crônicas: infectam, tratam, melhoram, e voltam a infectar. Enquanto elas seguem na linha de ordenha, a contagem do tanque não cai e as outras vacas continuam expostas.

Como identificar

  • CCS individual alta em vários controles seguidos, não em um isolado.
  • Repetição de casos clínicos no mesmo quarto.
  • Falha de resposta a tratamentos bem conduzidos.
  • Quarto endurecido, com tecido fibrosado, produzindo pouco.
  • Cultura apontando agente contagioso de difícil cura.

O ponto crítico é o histórico. Sem registro por vaca, a crônica passa despercebida porque cada caso parece novo.

Quando ainda vale tratar

  • Vaca jovem, com potencial de várias lactações pela frente.
  • Infecção recente, com poucos episódios.
  • Agente com boa taxa de cura, identificado por cultura.
  • Possibilidade de tratar na secagem, quando a chance de cura é bem maior.

Quando a conta não fecha

  • Vaca de idade avançada e produção já em queda.
  • Vários episódios repetidos, com tratamentos que não seguraram.
  • Agente contagioso com histórico de cura baixa.
  • Mais de um quarto comprometido.
  • Impacto direto na bonificação por qualidade do rebanho inteiro.

Nesses casos, insistir custa antibiótico, leite descartado, mão de obra e risco de contaminar as demais.

Entre tratar e descartar existe uma terceira via

Nem toda crônica precisa sair no mesmo dia. Alternativas usadas com orientação técnica:

  • Manter a vaca até o fim da lactação e não secar para nova lactação, programando a saída.
  • Ordenhar por último, sempre, com material próprio, reduzindo a transmissão.
  • Em quarto perdido, avaliar com o veterinário a interrupção da produção naquele quarto específico.

O efeito no tanque

Como a CCS do tanque é uma média ponderada pelo volume, uma vaca de alta produção e CCS elevada pesa muito mais que uma vaca de baixa produção. Por isso, às vezes, tirar duas ou três vacas resolve o que meses de mudança de produto não resolveram.

Na prática: com CCS individual e casos clínicos registrados por animal, a lista das crônicas aparece pronta, e a decisão deixa de ser discussão pra virar conta.

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