A ideia é tentadora: se a vaca fica meses sem produzir, por que não encurtar esse tempo e ordenhar mais dias? A discussão sobre período seco curto existe há bastante tempo e a resposta não é simples.
O argumento a favor
Menos dias sem ordenha significa mais leite no ciclo. Além disso, vacas com período seco mais curto tendem a passar por uma transição metabólica menos brusca, o que em algumas situações se associa a menos problemas no pós-parto.
O argumento contra
A glândula mamária precisa de tempo para involuir e renovar tecido. Período seco muito curto pode comprometer essa renovação e reduzir a produção da lactação seguinte, principalmente em vacas de primeira cria, que ainda estão crescendo.
Há também a questão da terapia de secagem: produtos intramamários têm período mínimo de atuação, e encurtar demais pode conflitar com isso e com a carência.
| Categoria | Período seco curto |
|---|---|
| Vaca de primeira cria | Mais arriscado, ainda está crescendo |
| Vaca adulta de alta produção | É onde mais se discute |
| Vaca com histórico de mastite | Não indicado |
| Vaca com escore corporal baixo | Precisa do tempo para recuperar |
| Rebanho sem controle individual | Não dá para individualizar |
O que fazer com essa informação
Não adote como regra geral do rebanho. Trata-se de uma estratégia que exige controle individual, acompanhamento técnico e avaliação de resultado ao longo de lactações, não de um mês.
Na prática, para a maioria das fazendas, o ganho maior está em acertar o básico do período seco: dieta adequada, ambiente limpo, escore corporal sob controle e terapia de secagem bem conduzida.