Na maior parte das fazendas de leite familiares, o dono trabalha na atividade e retira dinheiro conforme a necessidade e a disponibilidade do caixa. Isso parece natural e esconde uma informação essencial: quanto custa a mão de obra do dono.
Por que isso distorce tudo
Se o trabalho do dono não entra no custo, a fazenda parece mais lucrativa do que é. E como a retirada varia conforme o caixa, não dá para saber se um mês ruim foi de produção ou de retirada maior.
Definir um pró-labore, um valor fixo mensal pelo trabalho, resolve as duas coisas: o custo passa a aparecer e a retirada deixa de ser variável imprevisível.
| Sem pró-labore definido | Com pró-labore | |
|---|---|---|
| Custo real da fazenda | Subestimado | Aparece |
| Comparação entre anos | Distorcida | Possível |
| Decisão de contratar | Sem base de comparação | Comparável |
| Controle do caixa pessoal | Confuso | Previsível |
| Avaliação do negócio | Otimista demais | Realista |
Como definir o valor
Uma referência prática é perguntar quanto custaria contratar alguém para fazer o que você faz. Esse é o custo de oportunidade do seu trabalho, e é um bom ponto de partida.
Se houver mais de uma pessoa da família trabalhando, cada uma deveria ter o seu valor definido, proporcional ao envolvimento.
O pró-labore é o pagamento pelo trabalho, e é diferente do lucro do negócio. Quem é dono e trabalha recebe pelos dois papéis, e separar isso ajuda muito nas conversas familiares.