O carrapato do gado bovino
O Rhipicephalus (Boophilus) microplus é o principal parasita externo do gado leiteiro brasileiro. Suga sangue, transmite tristeza parasitária (babesiose + anaplasmose) e derruba produção em silêncio.
O ciclo
O carrapato passa 21 dias no bovino (fase parasitária) e o resto da vida no pasto (fase de vida livre). Cada fêmea cai do animal e bota até 3.000 ovos no chão. Dos ovos saem larvas que voltam pro animal.
Prejuízos
- Anemia: em infestação alta, cada carrapato suga 1-2 ml de sangue. 200 carrapatos = 400 ml/dia perdidos.
- Estresse: coceira, vaca menos no cocho, mais inquieta.
- Tristeza parasitária: babesiose e anaplasmose causam febre alta, hemólise, abortos, morte.
- Lesões de pele: portas pra berne, miíase e dermatite.
Controle: estratégico, não reativo
"Carrapaticidando" no olho não funciona. Faça controle estratégico:
- Monitore: conte carrapatos > 4,5 mm em uma "linha" do lado direito do animal. Mais de 10 = aplicação indicada.
- Aplique o produto no animal correto (vacas em produção têm carência longa de muitos princípios ativos).
- Aplique no momento certo (após confirmar infestação, em horário fresco, com pulverização adequada).
Rotação de princípios ativos
- Use 2 ou 3 princípios diferentes ao longo do ano.
- Não troque produto a cada aplicação — faça ciclos de 3-4 aplicações no mesmo, depois troca.
- Avalie eficácia: aplique e conte carrapatos 7-14 dias depois. Se mais de 5% sobreviveu, há resistência.
Manejo do pasto
- Rotação de piquetes quebra o ciclo (carrapato fora do hospedeiro sobrevive 1-3 meses).
- Pastos sob sombra densa têm mais carrapato.
- Fogo controlado (em condições legais) reduz carga ambiental.
Em região de tristeza endêmica, vacinação contra hemoparasitas em bezerros 3-9 meses é altamente recomendada. Salva muita vida.