Toda mastite é prejuízo — mas você só vê metade
A mastite clínica é a que dá pra ver: úbere quente, leite alterado, vaca com dor. A subclínica é silenciosa — a vaca produz normal, o leite parece normal, mas a CCS está alta e a produção cai. Subclínica representa 80-90% dos casos de mastite em rebanho leiteiro.
Mastite clínica
Sintomas visíveis:
- Leite com grumos, sangue, secreção amarelada ou aquosa.
- Úbere quente, inchado, vermelho, doloroso ao toque.
- Em casos graves: vaca com febre, sem apetite, andando com dificuldade.
Você flagra ao descartar os primeiros jatos numa caneca de fundo escuro durante a ordenha. Esse teste de fundo escuro é inegociável.
Mastite subclínica
Sem sintomas externos. A vaca produz leite "limpo" aos olhos, mas:
- CCS individual acima de 200.000 cel/mL.
- Produção cai entre 5-20% silenciosamente.
- Pode evoluir pra clínica a qualquer momento.
Diagnóstico: CMT (California Mastitis Test) ou contagem de células somáticas no controle leiteiro.
Por que detectar subclínica importa
Cada vaca subclínica derruba CCS do tanque, derruba bonificação, derruba produção. Identificar e tratar (ou descartar) muda o resultado da fazenda em poucos meses.
O que fazer
- Clínica: separar a vaca, ordenhar por último, coletar amostra pra cultura, iniciar antibiótico orientado por veterinário, respeitar carência.
- Subclínica: CMT mensal em todo o rebanho. Vaca com CMT positiva em 1+ teto = candidata a coleta de cultura e tratamento direcionado.
Antibiótico sem cultura é tiro no escuro — costuma falhar e cria resistência. Cultura microbiológica custa pouco e direciona o tratamento certo.