Minas Gerais e Goiás concentram boa parte do leite brasileiro. Ali o El Niño não chega como enchente nem como seca contínua: chega como calor e como incerteza na lavoura de silagem.
O que se espera
Nesses polos, a principal preocupação apontada é o estresse térmico, com meses mais secos alternando com períodos de recuperação de chuva. Os meses citados como mais críticos são novembro, dezembro e março. O calor prejudica o conforto do rebanho e ameaça a produção de silagem de milho.
O efeito duplo
No rebanho
- Queda de consumo e de produção
- Menos ruminação e menos gordura no leite
- Queda na taxa de prenhez
- Mais mastite e mais tempo em pé
Na lavoura
- Veranico no enchimento de grão
- Menos amido e menos energia na silagem
- Janela de colheita imprevisível
- Risco de plantar e não colher o esperado
É a combinação que preocupa: a vaca precisa de mais energia justamente quando a silagem pode vir mais fraca.
O que dá para fazer no rebanho
- Sombra antes de tudoÁrvore, sombrite ou galpão. É o investimento de maior retorno contra calor.
- Água com vazãoNo calor o consumo dispara. Bebedouro que não repõe rápido vira gargalo invisível.
- Mudar horário de trato e ordenhaConcentrar a alimentação nas horas frescas custa zero.
- Aspersão com ventilaçãoPrincipalmente na sala de espera, que é o pior ponto da fazenda no calor.
O que fazer na silagem
- Escalonar o plantio, reduzindo o risco de perder tudo num único veranico.
- Acompanhar o ponto de colheita de perto, porque estresse hídrico bagunça a curva de maturação.
- Analisar a silagem antes de formular a dieta. Silo com menos amido exige ajuste no concentrado.
- Ter plano B de volumoso: cana, capineira, pré-secado ou compra programada.
Projeções e alertas para a pecuária de leite em 2026, conforme Canal Rural.