Depois de anos de reclamação da cadeia leiteira, o governo federal reconheceu oficialmente que o leite em pó da Argentina e do Uruguai entra no Brasil com prática de dumping. A tarifa foi aprovada e, no mesmo movimento, suspensa.
O que foi decidido
A Câmara de Comércio Exterior reconheceu a existência de dumping nas importações brasileiras de leite em pó integral e desnatado, não fracionado, originárias da Argentina e do Uruguai, por meio da Resolução Gecex 907/2026, publicada em 10 de junho de 2026.
Os valores da tarifa
Os direitos antidumping foram calculados em dólares por tonelada, com valores diferentes conforme a empresa exportadora e o país de origem. No caso da Argentina, as tarifas vão de US$ 167,31 a US$ 903,50 por tonelada entre as empresas que participaram da investigação. Para exportadores conhecidos que não responderam aos questionários, o valor ficou em US$ 1.707,08 por tonelada.
O ponto que muda tudo
A mesma Camex suspendeu temporariamente a aplicação das tarifas. A justificativa é avaliar possíveis efeitos sobre a inflação de alimentos e sobre as relações diplomáticas dentro do Mercosul.
Na prática, o produtor brasileiro ganhou o reconhecimento formal de que a concorrência era desleal, mas ainda não ganhou a proteção. O produto segue entrando nas mesmas condições enquanto a suspensão durar.
Por que isso pesa no seu preço
Leite em pó importado barato compete diretamente com o leite que sai da sua fazenda. A indústria que consegue reconstituir pó mais barato do que pagar pelo leite cru tem menos motivo para melhorar o preço ao produtor. É esse o mecanismo que a cadeia aponta há anos como responsável por segurar a cotação nos períodos de pico de importação.
Resolução Gecex 907/2026 e cobertura de Canal Rural e MilkPoint.