O que é hipocalcemia (febre do leite)
Vaca recém-parida que produz leite consome muito cálcio rapidamente. Quando o corpo não consegue mobilizar cálcio do osso rápido o suficiente, o nível no sangue cai abaixo do mínimo — a vaca desaba. Apesar do nome, geralmente não há febre.
Quando acontece
90% dos casos nos primeiros 3 dias pós-parto. Mais comum em:
- Vacas de alta produção.
- Vacas de 3ª lactação em diante.
- Holandês (raça mais sensível).
- Vacas com dieta seca rica em cálcio (paradoxal — o organismo "preguiçoso" pra mobilizar).
Sintomas — em três estágios
- Estágio 1: vaca em pé mas instável, tremores, hipersensibilidade, focinho seco, recusa cocho.
- Estágio 2: vaca caída em decúbito esternal (sentada no peito), cabeça curvada pro flanco, extremidades frias, mucosas pálidas.
- Estágio 3: vaca em decúbito lateral, inconsciente, parada de coração iminente. Sem tratamento, morre em horas.
Tratamento de emergência
- Gluconato de cálcio borogluconato 23% via endovenosa lenta — 500 ml em 15-20 minutos.
- Acompanhar com ausculta cardíaca (rápido demais causa parada cardíaca).
- Em casos leves, dose oral de cálcio (gel ou bolus) pode bastar.
- Vaca geralmente levanta em 30 minutos a 2 horas após a aplicação correta.
Recidiva
Vaca que teve febre do leite tem alta chance de repetir no próximo parto. Em 24-48h pode ter recaída — deixe uma dose oral pra reaplicar se ela parecer "fraca" de novo.
Prevenção
- Manejo nutricional pré-parto: dieta com baixo cálcio nos 21 dias antes do parto (dieta aniônica/DCAD negativo), pra o organismo "treinar" mobilização.
- Suplementação de magnésio na dieta seca.
- Vitamina D injetável 3-5 dias antes do parto previsto (vacas com histórico).
- Gel de cálcio oral no momento do parto e 12-24h depois (vacas adultas, principalmente).
Hipocalcemia subclínica (sem sintomas óbvios) atinge 30-50% das vacas adultas — e está ligada a retenção de placenta, mastite e baixa produção. Prevenir vale ouro.