O vírus que fica de tocaia
A IBR (rinotraqueíte infecciosa bovina), causada por um herpesvírus, é uma das viroses que mais circula nos rebanhos brasileiros. Tem uma característica traiçoeira: depois que infecta, o vírus fica latente (escondido) no animal pra sempre e reaparece nos momentos de estresse (parto, transporte, troca de lote), voltando a contaminar o rebanho. Por isso é tão difícil de eliminar.
As duas caras da IBR
- Respiratória: febre, secreção no nariz e olhos, tosse, perda de apetite, queda de leite. Pode abrir caminho pra pneumonia bacteriana.
- Reprodutiva: aborto (importante causa), infertilidade, repetição de cio; nos touros, problemas no aparelho reprodutor.
- Há ainda a forma genital (vulvovaginite/balanopostite pustular).
O animal portador latente
- Todo animal infectado vira portador pra vida toda, mesmo curado dos sintomas.
- Sob estresse, ele reativa e elimina o vírus, contaminando os outros.
- Por isso o vírus "ressurge" no rebanho sem animal novo ter entrado.
Como controlar
- Vacinação: reduz a circulação, os sinais e os abortos. Existem vacinas que ajudam a diferenciar vacinado de infectado (marcadas), úteis em programas de controle.
- Biosseguridade: quarentena e exame de animal novo (o portador chega comprado).
- Reduzir o estresse (bom manejo, conforto, nutrição) — menos reativação.
- Descarte estratégico de positivos em rebanhos que buscam erradicação, com apoio veterinário.
A IBR raramente se erradica de um dia pro outro — controla-se com vacinação, biosseguridade e menos estresse, reduzindo abortos e perdas. Como na BVD, o animal comprado é o maior risco: teste e quarentena de tudo que entra, com registro de origem, é a base. Monte um programa com o veterinário.