A discussão sobre importação deixou de ser abstrata quando o volume ganhou número. Nos quatro primeiros meses de 2026, o equivalente a 709 milhões de litros de leite entrou no país em forma de pó e de queijo.
Os números do período
Para dar escala: em 2025, as importações passaram a representar entre 8% e 10% do consumo nacional. Não é um detalhe de mercado, é quase um décimo de tudo o que o país bebe e come em lácteos.
De onde vem
A maior parte tem origem em países do Mercosul, principalmente Argentina e Uruguai. Segundo o Conseleite do Rio Grande do Sul, os preços praticados nessas cargas vêm colocando o produto importado no mercado brasileiro abaixo do custo médio de produção nacional, o que gera desequilíbrio de concorrência.
Como isso chega até o seu tanque
O caminho é indireto, mas curto:
- O pó importado entra baratoEle abastece indústrias que poderiam estar comprando leite cru do produtor da região.
- A demanda por leite cru afrouxaCom estoque de pó disponível, a indústria tem menos pressa e menos concorrência para captar.
- O poder de barganha viraNuma negociação em que o comprador tem alternativa e o produtor não tem onde estocar leite, o preço acompanha.
O que o setor está pedindo
O Conseleite do Rio Grande do Sul enviou ofício ao governo federal cobrando medidas emergenciais e diálogo com o setor produtivo. A Frente Parlamentar da Agropecuária também intensificou a pressão por medidas antidumping depois do reconhecimento oficial da prática.
Dados de importação e posicionamento do setor em MilkPoint.