A Paraíba tem uma particularidade no mapa do leite brasileiro: ao lado da produção bovina tradicional, abriga no Cariri uma das bacias de leite de cabra mais conhecidas do país. São dois sistemas diferentes, adaptados a realidades diferentes dentro do mesmo estado.
O Cariri e o leite de cabra
O Cariri paraibano é uma das regiões mais secas do Brasil. Ali, a caprinocultura leiteira se consolidou justamente porque a cabra exige menos água e menos área por animal e aproveita bem a vegetação da caatinga.
A produção se organizou em torno de associações e cooperativas, com unidades de beneficiamento e, em boa parte, venda para programas de compra pública, o que dá previsibilidade ao escoamento.
O agreste e o leite bovino
No agreste, com chuva um pouco mais regular, predomina o leite bovino, em propriedades familiares e médias, com rebanhos cruzados adaptados ao calor e forte dependência de reserva de volumoso para atravessar a estiagem.
| Cariri (caprino) | Agreste (bovino) | |
|---|---|---|
| Chuva | Muito escassa | Irregular |
| Animal | Cabra leiteira | Vaca cruzada adaptada |
| Escoamento | Cooperativas e compra pública | Laticínios e cooperativas |
| Principal risco | Seca e sanidade caprina | Seca e custo de volumoso |
| Base produtiva | Agricultura familiar | Familiar e média |
Os desafios comuns
A seca é o denominador comum. Nos dois sistemas, quem tem reserva de volumoso e água armazenada atravessa a estiagem; quem não tem, reduz rebanho.
No caprino, a sanidade específica da espécie e a organização do escoamento são decisivas. No bovino, a qualidade do leite e o custo do concentrado na seca.