A causa escondida de aborto e queda de leite
A leptospirose é uma das maiores causas de aborto, repetição de cio e queda de produção em rebanho leiteiro — e quase sempre passa despercebida, porque os sinais são vagos. É uma zoonose: contamina o homem também, o que torna o controle ainda mais importante.
Como a vaca se contamina
A bactéria (Leptospira) vive na urina de animais infectados e sobrevive em água e barro. A vaca pega por:
- Água e pasto contaminados por urina de bovinos, ratos, cães ou animais silvestres.
- Áreas alagadas, açudes e córregos — a bactéria adora umidade.
- Contato com urina de animal portador no curral.
- O rato é peça-chave: um dos principais reservatórios e disseminadores.
Sintomas — quase sempre discretos
- Aborto (geralmente no terço final da gestação) — o sinal mais comum e caro.
- Repetição de cio e infertilidade.
- Queda brusca de leite com leite amarelado ou com sangue (forma aguda).
- Nascimento de bezerros fracos ou natimortos.
- Na forma aguda em bezerros: febre, urina escura (cor de vinho), icterícia.
Diagnóstico
Não dá pra confirmar só no olho — exige exame de sangue (sorologia) do rebanho. Diante de surtos de aborto sem causa aparente, leptospirose deve ser sempre investigada junto com brucelose e outras causas.
Prevenção e vacina
- Vacinação é o pilar: vacina polivalente (reprodutiva), com duas doses no primeiro ano (intervalo de 21-30 dias) e reforço a cada 6 meses — a imunidade é curta, por isso não basta uma vez ao ano.
- Controle de roedores: ratoeiras, organização do depósito de ração, sem comida exposta.
- Drenar áreas alagadas e cercar açudes e brejos.
- Água limpa e corrente nos bebedouros.
- Quarentena de animal novo antes de juntar ao rebanho.
Leptospirose é zoonose: quem maneja vaca abortada ou contato com urina deve usar luva e botas. Ao lidar com restos de aborto, proteção é obrigatória — a bactéria entra por pele ferida e mucosa.