📊 Gestão

Por que o dólar mexe no preço da sua ração

Milho e farelo de soja são cotados em dólar mesmo comprados na sua cidade. Como o câmbio chega ao cocho, quanto tempo demora e o que dá para fazer antes que chegue.

Você compra a ração no comércio da cidade, paga em real, e nunca falou com nenhum exportador. Ainda assim, quando o dólar sobe, o preço do saco sobe atrás. Entender esse caminho ajuda a comprar melhor e a parar de ser pego de surpresa.

O caminho, em quatro passos

Milho e soja são commodities: têm preço de referência internacional e são vendidos para o mundo inteiro. Quem produz no Brasil escolhe entre vender aqui dentro ou exportar, e essa escolha depende do câmbio.

Do dólar até o seu cocho Dólar sobe exportar rende mais em real Grão sai mais milho e soja vão para o porto Sobra menos o mercado interno disputa o que ficou Ração sobe e o seu custo por litro sobe junto O detalhe cruel para quem tira leite Dólar alto encarece a sua ração rápido, mas não sobe o preço do leite na mesma velocidade, porque o leite é consumido aqui dentro e quase não é exportado.
É por isso que safra boa de milho não garante ração barata. Se o dólar estiver alto, o grão vai embora mesmo com colheita cheia.

O que sobe e o que não sobe junto

ItemSensível ao dólar?Por quê
Milho e farelo de sojaMuitoCommodities exportáveis, com referência internacional
Ração pronta e núcleoMuitoSão feitos principalmente desses dois
FertilizanteMuitoO Brasil importa a maior parte
Medicamento e sêmen importadoBastanteInsumo importado ou com componente importado
Máquina e peçaBastanteComponente importado no preço
Volumoso que você produzPoucoSilagem e pasto são custo seu, em real
Mão de obraPoucoSegue outro tipo de reajuste
Preço do seu leiteIndireto e mais lentoÉ mercado interno, e o repasse demora

Por que isso importa mais para o leite do que para o grão

O produtor de soja vende em dólar e compra insumo em dólar. Quando a moeda sobe, os dois lados sobem e ele fica protegido. O produtor de leite vive o pior arranjo possível: compra num mercado ligado ao dólar e vende num mercado que não é.

Por isso, em período de dólar alto, o custo por litro sobe antes que a bonificação e o preço do laticínio acompanhem. Quem não acompanha o próprio custo descobre isso só no fechamento do mês.

O que dá para fazer

  1. Aumente a fatia do volumoso que você mesmo produzÉ a única parte do custo que não segue o dólar. Cada quilo de matéria seca do seu pasto ou do seu silo é um quilo que você não compra ao preço de commodity.
  2. Compre concentrado com antecedência quando o preço afrouxaEstoque exige espaço e cuidado com praga, mas trava o preço. A regra está em armazenagem de ração.
  3. Use subproduto quando a conta fecharCaroço de algodão, polpa cítrica e casca de soja às vezes substituem milho com boa vantagem. Confira em polpa cítrica e subprodutos.
  4. Negocie em conjuntoCompra coletiva com vizinhos ou pela cooperativa melhora preço e frete.
  5. Acompanhe o custo por litro todo mêsSem ele, você não sabe se ainda tem margem para pagar o concentrado no preço de hoje.
A conta que decide: quando o concentrado sobe, a pergunta não é se ele ficou caro. É se o litro que ele produz ainda paga o custo dele. Uma vaca de alta produção costuma continuar valendo o concentrado mesmo caro. Uma vaca de baixa produção deixa de valer bem antes.

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