Uma doença de porta de entrada
O tétano é causado por uma bactéria que também vive no solo em forma de esporo, mas que só causa doença quando encontra uma ferida profunda e sem oxigênio. É por isso que ele está tão ligado a procedimentos de manejo mal feitos.
As situações de risco
- Castração, principalmente com métodos que deixam ferida fechada ou com anel elástico.
- Descorna em condição suja.
- Umbigo do recém-nascido mal desinfetado.
- Ferimento profundo de arame farpado, prego ou pisada.
- Aplicação de injeção com material contaminado.
- Pós-parto com lesão de trato reprodutivo.
Sinais
A toxina age no sistema nervoso e o quadro é bem característico:
- Rigidez muscular generalizada, animal andando duro, com dificuldade de se movimentar.
- Orelhas eretas, cauda rígida, terceira pálpebra aparecendo.
- Dificuldade de abrir a boca e de se alimentar.
- Espasmos que pioram com barulho, luz ou toque.
- Em casos avançados, o animal cai com as pernas estendidas.
Os sinais costumam aparecer dias ou semanas depois do ferimento, o que faz muita gente não ligar uma coisa à outra.
Tratamento é caro e incerto
Envolve antitoxina, antibiótico, sedação, cuidado com a ferida e suporte para alimentação e hidratação. Mesmo assim, o prognóstico é reservado e o custo alto. Como no carbúnculo, aqui o jogo se ganha antes.
Prevenção em duas frentes
Manejo limpo:
- Desinfetar o umbigo do bezerro logo após o nascimento.
- Fazer castração e descorna com material limpo, em ambiente seco e em época de menos mosca.
- Trocar agulha entre animais e nunca reutilizar material sujo.
- Manter cerca, porteira e instalação sem pontas e arame solto.
Vacinação: o tétano está entre as doenças cobertas pelas vacinas polivalentes contra clostridioses. Onde os procedimentos de manejo são frequentes, a vacinação preventiva antes da castração ou descorna é a conduta mais segura, sempre conforme orientação do veterinário.