🐮 Manejo

Vaca no barro: os problemas que a lama causa e o que fazer

Barro no curral e na entrada do pasto custa casco, custa CCS e custa leite. O que a lama provoca, quanto ela pesa no bolso e as correções que não exigem obra grande.

Barro parece incômodo passageiro, coisa de época de chuva que a gente aguenta. Só que ele mexe em três frentes ao mesmo tempo: o casco, o úbere e o consumo. E as três aparecem no tanque no mês seguinte.

O que a lama causa

ProblemaComo aconteceOnde aparece
Casco amolecidoUmidade constante deixa a sola mole e vulnerável a pedra e a bactériaClaudicação semanas depois
Dermatite digitalBarro com esterco é o ambiente ideal para a bactéria que causa a lesãoVaca mancando e casqueamento em série
Mastite ambientalÚbere sujo de barro e esterco encosta na cama e no pisoCCS e casos clínicos subindo
Menos tempo deitadaVaca não deita em lugar molhado e sujoMenos ruminação e menos leite
Gasto de energia para andarAtravessar lama funda exige muito mais esforçoEnergia que sairia do leite
Leite mais sujoTeto sujo é mais difícil de higienizar na ordenhaCBT alta e bonificação perdida
O barro não está espalhado: ele se concentra área de pasto, quase sempre firme bebedouro porteira entrada do curral Todo o rebanho passa pelos mesmos poucos metros, várias vezes por dia Por isso resolver três ou quatro pontos críticos rende mais que qualquer intervenção na área toda. Comece pelo trecho que fica pior: quase sempre é a entrada do curral.
Fazenda nenhuma tem dinheiro para calçar tudo. Nem precisa, porque o barro que machuca está concentrado onde há tráfego repetido.

As correções que cabem no orçamento

  1. Desvie a água antes de tratar o barroBoa parte da lama vem de telhado sem calha e de água de chuva escorrendo para dentro do curral. Resolver o caminho da água resolve metade do problema sem gastar com piso.
  2. Calce só os pontos de tráfegoEntrada do curral, corredor de acesso e volta do bebedouro. É pouco metro quadrado e é onde está o estrago.
  3. Não use pedra solta ou cascalho grossoPisar em pedra solta com casco amolecido é receita de lesão de sola. Base compactada e nivelada é melhor que brita jogada.
  4. Mude o bebedouro de lugar quando derBebedouro em terreno baixo vira atoleiro todo ano. Subir alguns metros muda tudo.
  5. Deixe a vaca andar no ritmo delaLote empurrado no barro escorrega e se machuca mais.
  6. Dê um lugar seco para deitarSe não existe piquete firme na chuva, ela vai passar o dia em pé, e vaca em pé produz menos.

Como saber se o barro já está custando

Dois indicadores respondem, e os dois você já pode estar acompanhando. O escore de higiene mostra o quanto de sujeira está chegando ao úbere, e o escore de locomoção mostra se o casco está pagando a conta.

Se os dois pioram na época das chuvas e melhoram na seca, o culpado não é misterioso.

Na prática: num dia de chuva, caminhe o trajeto que as vacas fazem do pasto até o curral. Marque os trechos onde você afunda o pé. São três ou quatro, quase sempre os mesmos todo ano, e resolver esses trechos é o investimento de melhor retorno da estação chuvosa.

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