💉 Sanidade

Carbúnculo sintomático (manqueira): a clostridiose que mata o animal mais gordo

A manqueira aparece de repente, derruba o bezerro em melhor estado e quase não dá tempo de tratar. Sinais, por que acontece e como a vacina resolve.

A doença que escolhe o melhor animal

O carbúnculo sintomático, conhecido no campo como manqueira ou peste da manqueira, tem uma característica que assusta o produtor: ele costuma matar justamente o bezerro mais bem nutrido, aquele em melhor condição corporal. Não é azar, é a própria natureza da doença.

Por que acontece

A bactéria causadora vive no solo e forma esporos que resistem por anos. O animal ingere esses esporos no pasto, e eles se alojam na musculatura sem causar nada enquanto houver oxigênio ali. O problema começa quando surge uma área de músculo com pouco oxigênio, o que acontece depois de:

  • Pancada, queda ou brincadeira brusca no pasto.
  • Injeção mal aplicada.
  • Manejo pesado, transporte, contenção violenta.

Nessa condição o esporo germina, a bactéria se multiplica e libera toxinas. Animal em bom estado tem mais massa muscular, e é por isso que ele é o mais atingido.

Sinais

  • Claudicação súbita, o animal manca de uma hora pra outra.
  • Inchaço na musculatura da coxa, garupa, paleta ou pescoço.
  • Ao apertar a região, sente-se uma crepitação, como se houvesse ar sob a pele.
  • Febre alta, apatia, o animal se isola e para de comer.
  • Morte rápida, muitas vezes em menos de um dia.

Não é raro o produtor encontrar o animal já morto, sem ter visto nenhum sinal.

Tratamento raramente dá tempo

Quando os sinais aparecem, a toxina já está circulando. Existe tratamento com antibiótico em dose alta e cuidado de suporte, mas a taxa de recuperação é baixa e depende de pegar o caso muito no início. Na prática, essa é uma doença de prevenção, não de tratamento.

A prevenção é simples e barata

A vacina polivalente contra clostridioses protege contra o carbúnculo sintomático e outras clostridioses. Alguns pontos que fazem a diferença:

  • Respeitar a idade de início e, principalmente, aplicar a dose de reforço. Vacina clostridial sem reforço protege pouco.
  • Revacinar conforme a orientação do fabricante e a realidade da propriedade.
  • Guardar e transportar a vacina na temperatura correta, senão ela perde efeito.
  • Aplicar com agulha limpa e na via indicada, porque má aplicação pode virar justamente o gatilho da doença.

Cuidado com a carcaça

Animal morto por clostridiose contamina o pasto, porque os esporos voltam para o solo. O destino correto da carcaça, orientado pelo veterinário e pela legislação local, evita que o problema se repita no mesmo piquete no ano seguinte.

Na prática: registre data de vacinação e de reforço por animal. A falha mais comum não é deixar de vacinar, é esquecer o reforço e achar que o rebanho está protegido.

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