Nunca circulou tanta informação sobre o mercado de leite, e nunca foi tão fácil tomar decisão ruim por causa dela. Grupo de mensagens, manchete de portal, boato de vizinho: tudo chega ao mesmo tempo, e boa parte se contradiz.
As cinco perguntas
1. Quem apurou? Instituição com metodologia pública, entidade do setor ou alguém sem fonte declarada. Isso não define se é verdade, mas define quanto peso dar.
2. Qual é a base de comparação? Mês anterior, mesmo mês do ano passado, acumulado do ano. Trocar a base inverte a manchete sem mudar um número sequer.
3. É média nacional ou é a sua região? O leite tem realidades muito diferentes entre bacias, e a média nacional pode não descrever nenhuma delas.
4. É preço bruto ou líquido? Indicadores costumam ser referências de preço bruto. O que entra na sua conta é depois de faixa de qualidade, frete e descontos.
5. Isso muda alguma decisão minha? A pergunta mais importante e a menos feita.
| Tipo de informação | Muda decisão? | O que fazer |
|---|---|---|
| Indicador de preço nacional | Às vezes | Comparar com o seu líquido |
| Notícia de importação | No médio prazo | Acompanhar, não reagir |
| Projeção climática | Sim | Ajustar plano de volumoso |
| Mudança de regra ou crédito | Sim | Confirmar na cooperativa |
| Boato de preço em grupo | Não | Confirmar antes de repassar |
| Manchete sem fonte | Não | Ignorar |
O erro mais caro
É reagir rápido a movimento de curto prazo. Vender rebanho porque o preço caiu dois meses seguidos, ou financiar expansão porque subiu três, são decisões de longo prazo tomadas com informação de curto prazo. Elas costumam se pagar no sentido errado.
Decisão de longo prazo pede dado de longo prazo: o seu custo, o seu histórico e a fase do ciclo, não a manchete da semana.