A cena é comum: você inseminou de manhã, passa no fim da tarde e a vaca ainda está aceitando monta. Vale usar mais uma dose? A resposta honesta é que depende, e o custo de decidir errado é diferente nos dois sentidos.
O raciocínio por trás
O sêmen precisa estar disponível no momento certo em relação à ovulação, que acontece algum tempo depois do fim do cio. Se a inseminação foi feita muito cedo em relação a um cio longo, os espermatozoides podem já não estar em condição ideal quando a ovulação ocorrer.
A segunda dose é uma forma de cobrir essa incerteza. O problema é que ela custa: uma dose a mais, uma manipulação a mais e um risco a mais de contaminação do trato, já que cada passagem pelo cérvix é uma intervenção.
| Situação | Segunda dose | Por quê |
|---|---|---|
| Cio muito longo e ainda ativo | Pode fazer sentido | Cobre a incerteza da ovulação |
| Vaca de alto valor | Pode compensar | Prenhez vale mais que a dose |
| Repetidora crônica | Não resolve | O problema é outro |
| Protocolo de IATF | Não | A ovulação já é sincronizada |
| Rotina de detecção ruim | Não | Corrija a detecção primeiro |
| Sêmen sexado | Avaliar com técnico | Dose cara e mais sensível |
O que costuma resolver mais
Antes de gastar dose, vale melhorar a informação. Observar cio mais de uma vez por dia, em horários bem escolhidos, e anotar a hora em que a vaca foi vista pela primeira vez em cio muda mais a prenhez do que a segunda inseminação.
Se a fazenda inseminatoda vaca no mesmo horário, independentemente de quando o cio começou, o ganho maior está aí, e não na dose extra.