Enquanto o rebanho era vacinado, uma falha de vigilância tinha margem de erro. Sem vacinação, essa margem sumiu. O produtor passou a ser a primeira linha de detecção, e para isso precisa saber o que procurar.
Os sinais que pedem notificação
A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta animais de casco fendido. Os sinais clássicos envolvem febre, salivação intensa, formação de vesículas (bolhas) e as feridas que aparecem quando essas vesículas se rompem.
O que deve acender o alerta não é um animal isolado com uma lesão, e sim o conjunto: vários animais afetados em pouco tempo, com salivação, dificuldade de se alimentar e claudicação súbita.
| Sinal | Onde observar | Peso na suspeita |
|---|---|---|
| Salivação intensa | Boca, babando em fio | Alto |
| Vesículas ou feridas | Língua, gengiva, focinho | Alto |
| Lesão entre os cascos | Pé, região interdigital | Alto |
| Claudicação súbita em vários | Lote inteiro | Alto |
| Queda brusca de leite | Tanque | Reforça |
| Febre e apatia | Comportamento | Reforça |
| Animal único com lesão | Isolado | Investigar, várias causas possíveis |
O que fazer e o que não fazer
Fazer: isolar os animais suspeitos, evitar entrada e saída de pessoas, veículos e animais da propriedade, e comunicar imediatamente a defesa agropecuária estadual.
Não fazer: medicar por conta própria antes da avaliação oficial, mandar animal para leilão ou abate "para se livrar do problema", ou esperar alguns dias para ver se melhora. Cada um desses adia o diagnóstico e amplia o risco.
Vale lembrar que outras doenças causam lesões parecidas e são bem mais comuns. A avaliação oficial existe justamente para diferenciar, e a maioria das notificações termina descartada.
Orientações de vigilância sanitária do Ministério da Agricultura e Pecuária e materiais da CNA sobre o status livre de aftosa sem vacinação.