Existe uma pressão crescente, vinda da indústria, dos mercados e da legislação, para reduzir o uso de antimicrobianos na produção animal. E existe um medo legítimo do produtor: reduzir remédio e perder vaca. Os dois lados podem coexistir, desde que a redução venha acompanhada de outra coisa.
Onde o antibiótico é necessário e onde é hábito
Ele é necessário quando há infecção bacteriana estabelecida e o tratamento muda o desfecho. Mastite clínica com sinais sistêmicos, metrite com febre, pneumonia bacteriana, infecção de casco profunda.
Ele é hábito quando é aplicado por precaução, sem diagnóstico, ou em situações em que a bactéria não é a causa. Diarreia viral de bezerro, mastite leve que se resolveria sozinha, aplicação "para garantir" em todo animal que fica quieto.
| Situação | Antibiótico ajuda? | O que fazer |
|---|---|---|
| Mastite clínica com febre | Sim | Tratar com orientação |
| Mastite leve, leite só com grumos | Nem sempre | Avaliar com o veterinário |
| Diarreia viral em bezerro | Não | Hidratação é o tratamento |
| Metrite com febre | Sim | Tratar |
| Pisada em pedra | Não | Retirar o corpo estranho |
| Abscesso fechado | Não resolve sozinho | Drenar |
| Vaca quieta, sem diagnóstico | Não | Examinar antes |
Por onde começar
Diagnóstico antes de tratar. Cultura e antibiograma na mastite recorrente mudam completamente o tratamento e evitam o produto errado.
Prevenção nas portas de entrada. Colostro de qualidade na bezerra, higiene de parto, rotina de ordenha e ambiente seco reduzem a demanda por tratamento na origem.
Terapia seletiva de vaca seca. Em vez de tratar todos os quartos de todas as vacas na secagem, tratar as que têm indicação. Exige CCS individual e critério, e é uma das reduções mais bem estabelecidas.
Registro. Sem saber quanto se usa hoje, não há como saber se reduziu.