Existe uma janela de três semanas antes do parto em que a dieta define metade dos problemas da lactação inteira. É ali que se previne a febre do leite.
O que acontece no parto
Ao iniciar a produção de colostro e leite, a vaca precisa de muito cálcio de uma hora para outra. Se o organismo não estiver preparado para mobilizar esse cálcio, ela entra em hipocalcemia. Na forma clínica, é a vaca caída, a chamada febre do leite. Na forma subclínica, que é muito mais comum, não há queda, mas há consequência.
O efeito dominó da forma subclínica
- Musculatura mais fraca, incluindo a do útero, o que aumenta retenção de placenta e metrite.
- Menor força no esfíncter do teto, favorecendo mastite.
- Queda de consumo, que puxa cetose e deslocamento de abomaso.
- Pico de lactação menor.
Como o manejo aniônico funciona
A estratégia usa sais que reduzem o balanço entre cátions e ânions da dieta, o chamado DCAD. Isso provoca uma leve acidificação metabólica que deixa o organismo pronto para mobilizar cálcio do osso assim que o parto exigir. A vaca chega no parto com o sistema já acionado.
O que exige atenção
- Só no pré-partoÉ estratégia para as últimas semanas de gestação, não para a lactação.
- Lote separadoSem lote de pré-parto definido, não há como controlar quem recebe o quê.
- Monitorar o pH da urinaÉ o controle de campo que mostra se a dose está adequada. Sem esse acompanhamento, o manejo pode não funcionar ou passar do ponto.
- PalatabilidadeSais aniônicos são amargos. Se o consumo cair, o efeito se perde e a vaca chega pior ainda.
- Atenção ao potássio do volumosoVolumoso muito rico em potássio atrapalha a estratégia.