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Rede social como ferramenta de trabalho: o que o produtor de leite tem a ganhar

Uma campanha com influenciadores rurais vendeu 133 plantadeiras em menos de um mês. O que esse caso ensina para quem produz leite e quer vender melhor, contratar melhor e pagar menos caro pelo insumo.

Rede social parou de ser passatempo no campo faz tempo. Ela virou vitrine de venda, cartão de visita para o laticínio, canal de contratação e a maior sala de aula de pecuária que já existiu. E quem entendeu isso primeiro está vendendo mais caro e comprando mais barato que o vizinho.

O caso que mostra o tamanho da mudança

A reportagem do AgFeed sobre a estratégia digital da John Deere no Brasil traz números que param qualquer discussão sobre "isso não é coisa séria".

A agência Jones, de São Paulo, montou uma operação com 80 influenciadores rurais para a marca. Entre eles, os irmãos Os Pimentinhas, produtores de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, que somam milhões de seguidores falando de máquina, lavoura e rotina de fazenda.

2,7 mide seguidores somados dos Pimentinhas no Instagram e no TikTok
133plantadeiras vendidas em menos de um mês a partir de uma campanha
4º → 1ºsalto da John Deere em engajamento na categoria, mantido por mais de um ano

Não foi propaganda de máquina rodando em câmera lenta. Foi conteúdo em formato de novelinha, reality show com o Michel Teló que passou de dez milhões de visualizações na final, e uma série chamada Papo de Operador, que coloca no centro quem opera a máquina todo dia.

Uma comunicação que entretém, educa, orienta e informa.

Marcelo Chianello, CEO da Jones, ao AgFeed

Guarde essa frase, porque ela é o resumo de tudo o que vem depois neste texto. O produtor não parou para assistir porque era anúncio. Parou porque era útil ou divertido, e a máquina apareceu no meio.

Por que isso interessa a quem tira leite

Você não vai vender 133 plantadeiras. Mas o mecanismo que fez aquilo funcionar é exatamente o mesmo que resolve problemas do dia a dia de uma fazenda leiteira, e ele não exige agência nem orçamento.

  • Quem compra de você está no celular. O comprador de novilha, o dono do laticínio artesanal, o vizinho que quer arrendar pasto: todos rolam o feed à noite.
  • Reputação passou a ser pública. Fazenda que mostra rotina, sanidade em dia e animal bem tratado vende mais fácil e negocia melhor.
  • A informação técnica ficou acessível. Muito do que antes só chegava por consultoria hoje passa em vídeo curto.
  • Contratar ficou mais fácil. Boa parte das vagas de campo hoje se resolve em grupo de WhatsApp e página local.

Os usos que dão retorno de verdade

  1. Vender animal sem intermediárioVídeo curto do animal andando, com número, idade, produção e histórico sanitário na descrição, alcança comprador que nunca passaria na sua porteira. Anúncio com dado registrado vale mais que anúncio com adjetivo.
  2. Vender leite e derivados diretoQueijo, doce e leite de venda local ganham muito com foto boa e rotina publicada. O cliente compra a história da fazenda junto com o produto.
  3. Comprar insumo melhorGrupo de produtores da região é onde aparece preço real de ração, sêmen e peça, e quem cobrou caro demais no mês passado.
  4. Aprender de graçaVeterinário, zootecnista e cooperativa publicam conteúdo técnico bom. Vale seguir os que mostram conta e resultado, não os que só mostram máquina nova.
  5. Contratar e ser encontradoFazenda conhecida na região atrai gente melhor pra trabalhar. Isso hoje se constrói em público.

O que funciona e o que não funciona

Funciona

  • Mostrar a rotina real: ordenha, curral, parto, colheita
  • Ensinar algo em trinta segundos
  • Falar do erro que você cometeu e do que aprendeu
  • Número na tela: litros, custo, ganho de peso
  • Responder comentário e mensagem
  • Constância, mesmo que seja duas vezes por semana

Não funciona

  • Só anunciar quando tem animal pra vender
  • Foto parada, sem contexto e sem legenda
  • Copiar conteúdo dos outros
  • Sumir por três meses e voltar do nada
  • Prometer resultado que a fazenda não entrega
  • Discussão política no perfil do negócio

Como começar sem virar produtor de conteúdo

A ideia não é largar o curral pra editar vídeo. É transformar em conteúdo aquilo que já acontece na fazenda.

  • Grave o que você já faz. A ordenha, o nascimento, a chegada da ração. Trinta segundos bastam.
  • Escolha um canal só pra começar. Instagram ou WhatsApp, aquele em que os seus clientes já estão.
  • Separe o perfil pessoal do perfil da fazenda. Isso deixa o negócio apresentável para quem vai comprar de você.
  • Fale a sua língua. Aquele caso dos Pimentinhas funciona porque são produtores de verdade falando como produtor. Imitar linguagem de cidade tira credibilidade.
  • Publique o número, não só a foto. "Essa vaca deu 34 litros ontem" vale mais que qualquer legenda bonita.
Na prática: os melhores posts saem do registro que você já faz. Quando produção, parto e tratamento estão anotados, a legenda com o dado real sai pronta, e é justamente o dado que dá autoridade ao seu conteúdo.

O risco de ficar de fora

O produtor que não aparece não deixa de ser avaliado, ele só deixa de participar da conversa. Enquanto isso, o vizinho que publica vende a novilha antes, consegue o funcionário melhor e recebe o convite pra fornecer para o mercado local.

A lição do caso da John Deere não é sobre orçamento de agência. É sobre quem se dispôs a conversar com o campo na linguagem do campo, e ganhou espaço por isso. Essa parte não custa nada.

Fonte

Dados e citações da reportagem De Teló aos Pimentinhas: o estilo Jones para vender a John Deere no universo digital, publicada pelo AgFeed.

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